Duas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos podem se acumular e alcançar 37,5% sobre 16,5% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano. Máquinas, calçados, móveis, madeira e confecções estão entre os produtos mais expostos, enquanto café, carnes, aeronaves e suco de laranja ficaram fora das novas cobranças.
Tarifas dos EUA podem chegar a 37,5% sobre parte das exportações brasileiras
Parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos passou a enfrentar uma sobretaxa combinada de até 37,5% em julho de 2026.
O percentual resulta da acumulação de duas medidas adotadas pelo governo norte-americano. A primeira estabeleceu uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A segunda acrescentou uma tarifa de 12,5% relacionada a uma investigação norte-americana sobre medidas de prevenção ao trabalho forçado nas cadeias internacionais de fornecimento.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o MDIC, as duas novas medidas atingem conjuntamente 23,1% do valor exportado pelo Brasil aos Estados Unidos. Dentro desse total, 16,5% das exportações estão sujeitas às duas cobranças e, por isso, podem receber a sobretaxa acumulada de 37,5%.
A expressão “podem chegar a 37,5%” precisa ser entendida corretamente.
Essa é a soma das novas sobretaxas adicionais. Dependendo do produto, ainda pode existir a tarifa aduaneira comum que já era cobrada anteriormente. Portanto, o custo total de entrada nos Estados Unidos pode ser superior a 37,5% em algumas situações.
Como as tarifas chegaram a 37,5%?
As novas medidas foram publicadas pelos Estados Unidos nos dias 15 e 23 de julho de 2026.
A primeira decisão foi resultado de uma investigação específica contra determinadas políticas e práticas brasileiras, conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Ela estabeleceu uma sobretaxa adicional de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros.
A segunda medida surgiu de outra investigação da Seção 301, desta vez relacionada ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais. O Brasil foi incluído entre as economias sujeitas a uma tarifa adicional de 12,5%. A cobrança faz parte de uma medida mais ampla aplicada pelos Estados Unidos a dezenas de parceiros comerciais.
Quando um mesmo produto aparece nas duas listas, as tarifas são acumuladas:
25% + 12,5% = 37,5% de sobretaxa adicional.
Não se trata de uma tarifa única criada diretamente com alíquota de 37,5%. São duas medidas diferentes que passam a incidir simultaneamente sobre determinadas mercadorias.
Quanto das exportações brasileiras será atingido?
O cálculo do governo brasileiro utiliza como referência o comércio bilateral de 2024, quando o Brasil exportou aproximadamente US$ 40,4 bilhões em produtos para os Estados Unidos.
A distribuição estimada ficou da seguinte forma:
- 16,5%, ou cerca de US$ 6,6 bilhões, sujeitos às duas sobretaxas, totalizando 37,5%;
- 4,7%, ou aproximadamente US$ 1,9 bilhão, sujeitos somente à tarifa de 12,5%;
- 1,9%, ou cerca de US$ 800 milhões, sujeitos apenas à tarifa de 25%;
- 24,2%, ou aproximadamente US$ 9,8 bilhões, já alcançados por tarifas setoriais da Seção 232;
- 52,7%, ou cerca de US$ 21,3 bilhões, sem as novas sobretaxas da Seção 301 e sem as tarifas setoriais analisadas pelo MDIC.
Portanto, não é correto afirmar que todos os produtos brasileiros passaram a pagar 37,5%.
A tarifa máxima adicional alcança uma parcela específica das exportações. Mais da metade do valor exportado permanece fora dessas novas medidas, embora continue sujeita às tarifas aduaneiras normais dos Estados Unidos.
Quais produtos podem pagar 37,5%?
Entre os produtos sujeitos simultaneamente às tarifas de 25% e 12,5% estão:
- máquinas e equipamentos;
- diferentes produtos de madeira;
- gorduras e óleos;
- calçados;
- móveis;
- roupas e outras confecções.
Esses setores representam aproximadamente 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos consideradas no levantamento do governo.
A cobrança adicional pode reduzir a competitividade desses produtos porque aumenta o custo necessário para colocá-los no mercado norte-americano.
Um produto brasileiro de US$ 100 sujeito às duas medidas pode gerar US$ 37,50 somente em novas tarifas adicionais, sem considerar a tarifa ordinária, transporte, seguro, distribuição e margem de venda.
Quais produtos pagarão apenas 25%?
Aproximadamente 1,9% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas somente à sobretaxa de 25%.
O açúcar aparece entre os exemplos apresentados pelo MDIC para essa categoria.
Nesse caso, o produto não foi incluído na cobrança adicional de 12,5%, mas continua atingido pela investigação comercial específica contra o Brasil.
Mesmo sendo inferior aos 37,5%, uma tarifa adicional de 25% ainda representa uma barreira pesada para produtos disputados por fornecedores de outros países.
Quais produtos pagarão somente 12,5%?
Cerca de 4,7% das exportações brasileiras aos Estados Unidos serão atingidas apenas pela sobretaxa ligada à investigação sobre trabalho forçado.
Entre os exemplos estão:
- obras de pedra, gesso e materiais semelhantes;
- determinados minérios;
- óleos essenciais;
- produtos de perfumaria;
- pescados.
Alguns tipos de celulose também foram apontados como sujeitos somente à cobrança de 12,5%, enquanto a maior parte das exportações brasileiras de celulose permaneceu entre as exceções.
Quais produtos ficaram fora das novas tarifas?
Segundo o levantamento do governo brasileiro, aproximadamente 52,7% das exportações não foram alcançadas pelas novas sobretaxas da Seção 301 nem pelas tarifas setoriais analisadas.
Entre os produtos incluídos nessa categoria estão:
- café;
- carnes;
- ferro fundido;
- aeronaves;
- suco de laranja;
- frutas;
- diversos produtos químicos;
- a maior parte da celulose exportada.
O governo informou também que cerca de dois mil produtos brasileiros ficaram isentos das duas novas cobranças, incluindo café e suco de laranja.
As exceções não significam que esses produtos entram gratuitamente nos Estados Unidos. Eles continuam sujeitos às tarifas normais que já existiam, mas não recebem as novas sobretaxas adicionais.
Por que os Estados Unidos impuseram a tarifa de 25%?
O governo norte-americano afirma que determinadas políticas brasileiras prejudicam empresas, produtores e trabalhadores dos Estados Unidos.
A investigação mencionou questões relacionadas a:
- comércio digital;
- meios eletrônicos de pagamento;
- tarifas preferenciais concedidas a determinados parceiros;
- aplicação das regras anticorrupção;
- proteção da propriedade intelectual;
- acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro;
- desmatamento ilegal.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, declarou que essas práticas seriam injustas ou restritivas ao comércio norte-americano.
O governo brasileiro contesta a justificativa e afirma que as medidas são incompatíveis com compromissos internacionais assumidos pelos Estados Unidos.
O que motivou a tarifa de 12,5%?
A segunda tarifa está ligada a uma investigação mais ampla sobre o combate ao trabalho forçado nas cadeias mundiais de suprimentos.
Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 12,5% ao Brasil e a outras 40 economias. Outros 19 países receberam uma tarifa de 10%.
Essa cobrança substituiu uma tarifa temporária de 10% que havia sido aplicada desde fevereiro de 2026 com base em outra parte da legislação comercial norte-americana.
A diferença é que a medida atual pode se acumular com a tarifa específica de 25% contra o Brasil, produzindo os 37,5% sobre determinadas mercadorias.
Quem realmente paga a tarifa?
A tarifa é recolhida inicialmente pelo importador norte-americano quando o produto entra nos Estados Unidos.
Isso não significa que o importador necessariamente absorverá sozinho o custo.
Ele pode:
- aumentar o preço cobrado do consumidor;
- exigir desconto do exportador brasileiro;
- reduzir sua própria margem;
- procurar outro fornecedor;
- cancelar ou diminuir a compra.
Na prática, o impacto pode ser dividido entre importador, exportador e consumidor.
A empresa brasileira pode não pagar o imposto diretamente à alfândega norte-americana, mas pode sofrer perda de clientes, redução do preço recebido ou queda na quantidade exportada.
Uma tarifa de 37,5% elimina automaticamente as exportações?
Não.
O impacto depende de quanto o produto brasileiro é necessário e de quantas alternativas estão disponíveis.
Uma mercadoria com qualidade específica, fornecimento confiável ou pouca concorrência pode continuar sendo comprada mesmo com a tarifa.
Já um produto facilmente substituído por fornecedores de outros países corre risco maior de perder mercado.
Também importa saber se os concorrentes enfrentam tarifas semelhantes. Caso apenas o Brasil seja atingido, sua desvantagem aumenta. Caso outros grandes fornecedores também paguem tarifas elevadas, a perda de competitividade pode ser menor.
Calçados estão entre os setores mais vulneráveis
A indústria de calçados está sujeita às duas novas medidas e pode enfrentar a tarifa adicional acumulada de 37,5%.
Esse setor enfrenta concorrência intensa de fabricantes de outros países. Caso o comprador norte-americano consiga substituir o produto brasileiro por outro semelhante, existe risco de redução de pedidos.
A consequência pode chegar a fábricas, fornecedores de couro, componentes, embalagens, transportadoras e trabalhadores das regiões que dependem dessa indústria.
O problema não termina na empresa que realiza diretamente a exportação. Uma redução na produção pode atingir toda a cadeia econômica.
Máquinas e equipamentos também serão afetados
Máquinas e equipamentos estão entre as mercadorias sujeitas às duas sobretaxas.
Esse tipo de exportação costuma envolver contratos maiores, assistência técnica, peças e relacionamentos comerciais de longo prazo.
Isso pode dificultar a substituição imediata do fornecedor, mas não elimina o risco.
Empresas norte-americanas podem adiar compras, renegociar contratos ou passar a buscar equipamentos produzidos localmente ou importados de outros países.
Para os fabricantes brasileiros, perder um contrato industrial pode representar um impacto maior do que perder várias vendas pequenas ao consumidor final.
Madeira, móveis e confecções enfrentam o mesmo problema
Produtos de madeira, móveis e confecções também aparecem entre os grupos sujeitos à tarifa combinada de 37,5%.
Nesses mercados, preço, prazo e custo de transporte costumam ter peso importante.
Uma sobretaxa elevada pode tornar a mercadoria brasileira mais cara do que alternativas de outros países, mesmo quando o custo de produção no Brasil é competitivo.
Empresas podem tentar reduzir margens para preservar contratos, mas essa estratégia possui limite. Se a exportação deixa de cobrir custos, manter as vendas apenas para não perder o cliente passa a destruir o caixa da empresa.
As exportações brasileiras aos EUA já estavam caindo
As exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 40,4 bilhões em 2024, mas recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025.
No primeiro semestre de 2026, os embarques somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A participação dos Estados Unidos nas exportações totais brasileiras também diminuiu de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026.
Parte dessa queda foi provocada pela redução nas vendas de petróleo bruto e de produtos de ferro e aço.
As novas tarifas chegam, portanto, em um momento no qual o comércio bilateral já vinha perdendo força.
A tarifa pode provocar demissões no Brasil?
Existe esse risco, principalmente em empresas que dependem fortemente do mercado norte-americano.
Caso os pedidos caiam, as empresas podem:
- reduzir turnos;
- adiar investimentos;
- diminuir compras de fornecedores;
- suspender contratações;
- conceder férias coletivas;
- realizar demissões.
Isso não significa que todos os setores atingidos demitirão automaticamente.
Algumas empresas poderão absorver parte do custo, negociar com os importadores ou redirecionar produtos para outros mercados.
A vulnerabilidade é maior quando os Estados Unidos representam uma parcela elevada da receita e não existe comprador alternativo imediato.
Empresas podem vender os produtos no Brasil?
Em alguns casos, sim.
Uma empresa que perde vendas externas pode tentar direcionar sua produção ao mercado brasileiro.
Isso pode aumentar a oferta e até reduzir preços em determinados segmentos. Porém, nem sempre é simples.
Produtos feitos para o mercado norte-americano podem ter especificações, embalagens, certificações, tamanhos e padrões diferentes dos utilizados no Brasil.
Além disso, o mercado interno pode não ter demanda suficiente para absorver toda a quantidade que seria exportada.
Redirecionar mercadorias ajuda, mas não substitui automaticamente um cliente estrangeiro.
O dólar pode ser afetado?
Uma redução das exportações diminui a entrada de dólares gerada pelas vendas externas.
Isoladamente, isso pode pressionar o câmbio. Porém, o valor do dólar depende de muitos outros fatores, incluindo:
- juros brasileiros e norte-americanos;
- investimentos estrangeiros;
- importações;
- preços das commodities;
- contas públicas;
- cenário político;
- percepção de risco internacional.
Portanto, não é possível afirmar que a tarifa provocará necessariamente uma alta específica do dólar.
O risco existe, mas o câmbio não responde a apenas um evento.
A medida pode aumentar preços no Brasil?
O impacto sobre os preços brasileiros não é direto nem uniforme.
Caso produtos antes exportados sejam vendidos no Brasil, a oferta interna pode aumentar e reduzir determinados preços.
Por outro lado, uma alta do dólar pode encarecer máquinas, componentes, medicamentos, combustíveis e outros itens importados.
Empresas que perderem receita também podem reduzir investimentos e produção, afetando empregos e fornecedores.
A conclusão correta não é que a tarifa aumentará imediatamente o preço de tudo. Os efeitos dependerão da resposta das empresas, do câmbio e da duração da disputa.
O consumidor dos Estados Unidos também pode pagar a conta
Quando o importador repassa a tarifa, o produto brasileiro chega mais caro ao consumidor norte-americano.
Isso pode acontecer com calçados, móveis, roupas, máquinas e outros itens atingidos.
As exceções concedidas a café, carne, suco de laranja e aeronaves reduzem a possibilidade de aumentos fortes em produtos considerados relevantes para empresas e consumidores dos Estados Unidos.
A lista de isenções mostra que a política tarifária também precisa considerar os prejuízos que pode causar dentro do próprio país que aplica a cobrança.
Brasil abriu disputa na Organização Mundial do Comércio
O Brasil solicitou oficialmente consultas com os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio, a OMC.
O pedido foi distribuído aos membros da organização em 30 de julho de 2026 e questiona as duas tarifas adicionais aplicadas com base na Seção 301.
O governo brasileiro argumenta que as medidas podem violar diferentes regras do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio e do sistema de solução de controvérsias da OMC.
A abertura das consultas é o primeiro passo formal de uma disputa comercial.
O que acontece depois do pedido à OMC?
As consultas oferecem aos dois países uma oportunidade de negociar uma solução antes do avanço para uma fase de julgamento.
Se o conflito não for resolvido em até 60 dias, o Brasil poderá solicitar a criação de um painel para analisar o caso.
Esse processo não suspende automaticamente as tarifas.
As cobranças continuam em vigor enquanto Brasil e Estados Unidos negociam ou enquanto a disputa avança na OMC.
Também não existe garantia de solução rápida. Litígios comerciais internacionais podem durar meses ou anos.
A OMC pode obrigar os Estados Unidos a cancelar as tarifas?
Um painel pode concluir que as medidas são incompatíveis com as regras comerciais internacionais e recomendar sua adequação.
Porém, o sistema da OMC não funciona como um tribunal nacional capaz de enviar uma ordem imediata à alfândega norte-americana.
O resultado pode gerar novas negociações e, em determinadas condições, autorizar medidas de compensação ou retaliação comercial.
Na prática, a solução depende tanto dos procedimentos jurídicos quanto das negociações políticas entre os países.
O Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro pode avaliar medidas baseadas na Lei da Reciprocidade Econômica, além de continuar utilizando os mecanismos da OMC.
Retaliar por meio de tarifas sobre produtos norte-americanos, porém, pode aumentar custos para empresas e consumidores brasileiros.
Máquinas, medicamentos, componentes e matérias-primas importadas dos Estados Unidos podem fazer parte das cadeias produtivas nacionais.
Uma resposta mal calculada pode punir o país que tenta se defender.
Por isso, qualquer medida precisa analisar quem será atingido e qual pressão real produzirá sobre o governo norte-americano.
Buscar outros mercados resolve o problema?
Diversificar compradores reduz a dependência dos Estados Unidos, mas não produz uma solução imediata.
Encontrar um novo mercado exige:
- identificar compradores;
- adaptar produtos;
- cumprir normas técnicas;
- organizar logística;
- construir confiança;
- negociar preço;
- obter certificações;
- financiar a operação.
Empresas maiores podem possuir equipes e presença internacional para acelerar essa transição. Pequenos exportadores podem ter muito mais dificuldade.
A diversificação é necessária, mas não substitui de uma hora para outra contratos construídos ao longo de anos.
A notícia representa uma guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos?
Existe uma disputa comercial séria, mas a expressão “guerra comercial” pode exagerar o estágio atual.
Os Estados Unidos aplicaram tarifas elevadas sobre parte das exportações brasileiras. O Brasil contestou as medidas, iniciou consultas na OMC e avalia instrumentos de reciprocidade.
Ao mesmo tempo, os dois governos continuam negociando.
O cenário pode evoluir para uma escalada, mas também pode resultar em novas exceções, acordos ou redução das tarifas.
Tratar o conflito como resolvido seria prematuro. Tratar como um rompimento definitivo também seria.
O que as empresas atingidas precisam analisar?
A primeira obrigação é identificar exatamente a classificação fiscal de cada produto.
O nome comercial não basta. Duas mercadorias parecidas podem receber tratamentos diferentes conforme seu código tarifário.
Depois, a empresa precisa calcular:
- tarifa ordinária anterior;
- sobretaxa aplicável;
- custo de frete e seguro;
- margem atual;
- possibilidade de desconto;
- preço dos concorrentes;
- dependência do mercado norte-americano;
- capacidade de redirecionar a produção.
Sem esse cálculo, a empresa não sabe se ainda existe margem para exportar.
Reduzir o preço apenas para preservar pedidos pode manter a fábrica ocupada e, ao mesmo tempo, destruir a rentabilidade.
Investidores devem observar quais empresas dependem dos EUA
A notícia não afeta todas as empresas brasileiras da mesma maneira.
O impacto depende de:
- percentual da receita obtido nos Estados Unidos;
- produtos efetivamente atingidos;
- possibilidade de repassar a tarifa;
- contratos em vigor;
- exposição ao dólar;
- capacidade de encontrar outros compradores;
- margens de lucro.
Uma exportadora pode sofrer com perda de pedidos, mas ser parcialmente beneficiada pela alta do dólar.
Outra pode possuir receitas internacionais diversificadas e sentir pouco impacto.
Comprar ou vender investimentos apenas porque a tarifa chegou a 37,5% ignora essas diferenças.
O que acompanhar nos próximos meses?
Os pontos mais importantes serão:
- possíveis mudanças nas listas de exceções;
- negociações entre Brasil e Estados Unidos;
- avanço das consultas na OMC;
- reação dos importadores norte-americanos;
- volume exportado pelos setores atingidos;
- comportamento do dólar;
- possíveis medidas de apoio às empresas;
- uso da Lei da Reciprocidade;
- fechamento de contratos e nível de emprego.
O percentual de 37,5% descreve a regra atual para determinados produtos. Ele não garante qual será o impacto econômico final.
Conclusão
As novas tarifas norte-americanas podem chegar a 37,5% sobre 16,5% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
Máquinas, equipamentos, madeira, calçados, móveis, gorduras, óleos e confecções estão entre os produtos sujeitos às duas cobranças acumuladas.
Outros 4,7% das exportações enfrentam apenas a tarifa de 12,5%, enquanto 1,9% estão sujeitos somente à tarifa de 25%.
Mais da metade do valor exportado ficou fora dessas novas sobretaxas, incluindo café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas e diversos produtos químicos.
O erro seria transformar a notícia em duas conclusões falsas: que tudo o que o Brasil exporta pagará 37,5% ou que apenas o importador norte-americano sofrerá.
O custo pode ser dividido entre consumidores, importadores, empresas brasileiras, fornecedores e trabalhadores.
O Brasil já iniciou uma disputa formal na OMC, mas as tarifas continuam em vigor. O impacto real dependerá das negociações, da reação dos compradores e da capacidade dos setores atingidos de preservar contratos ou encontrar novos mercados.
Fontes
- Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Alcance das medidas tarifárias: detalhamento das tarifas de 12,5%, 25% e 37,5%, produtos afetados, exceções e participação de cada grupo nas exportações brasileiras.
- Organização Mundial do Comércio — Disputa iniciada pelo Brasil: pedido de consultas contra as duas tarifas adicionais e etapas do processo na OMC.
- Representante de Comércio dos Estados Unidos — Tarifa de 25%: decisão da investigação da Seção 301 e justificativas apresentadas pelo governo norte-americano.
- Representante de Comércio dos Estados Unidos — Medidas sobre trabalho forçado: anúncio da segunda tarifa e aplicação a diferentes parceiros comerciais.
- Reuters — Produtos brasileiros isentos e setores afetados: cerca de dois mil produtos fora das duas novas tarifas e exposição de calçados, máquinas, equipamentos e celulose.
- Reuters — Exportações sujeitas à tarifa acumulada: confirmação de que 16,5% das exportações enfrentam tarifas combinadas de 37,5%.